27 de fev de 2011

História de Praga

 

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Não existem provas contundentes sobre as origens dos habitantes de Praga. Na antiguidade, Bohemia se encontrava numa das rotas comerciais seguidas pelos povos do leste para Ocidente segundo tem-se podido deduzir dos restos neolíticos encontrados na zona. Os Boios são o primeiro povo do que tem-se uma referencia clara, eram uma tribo celta que se estabeleceu na região entre o século V a. C. e o século I d.C. e a eles deve seu nome Bohemia.A partir desta época se sucedem as invasões de diferentes tribos, primeiro os Cuados e os Marcomanos, mais tarde os Eslavos Ocidentais, os Moravos e os Checos e a princípios do século VII, os Avaros, que se agrupam com outras tribos eslavas formando um principado nas terras da Bohemia e Moravia que algo mais tarde caíram baixo o domínio de Carlos Magno. A decadência do Império Carolingio suponha o inicio da independência já no século IX, começando a denominar-se aos habitantes da zona como Checos, por falarem a língua eslava com variantes de dialetos da Bohemia e a escrita em alfabeto latino.  No século X, o Estado Checo se consolida baixo a dinastia dos Premyslitas, sendo Praga sua capital. A fundação de Praga têm sua própria lenda. Se cré que foi fundada no século IX como materialização da visão que teve Libuse, uma princesa da tribo Cech, no monte Vysehrad.  Libuse viu uma cidade tão maravilhosa que disse que seu esplendor superava ao das estrelas. A jovem se casou com o lavrador Premysl, que fez realidade seu sonho e fundou a dinastia dos Premyslitas. O Castelo de Hradcany e seu recinto, situados ao outro lado do Moldava, foram construídos pelo primeiro governante Premyslita, o duque Borivoj, no século IX Václav, seu neto e duque da Bohemia, levantou uma igreja dedicada a São Vito dentro do recinto antes de ser assassinado pelo seu próprio irmão no ano 929. Canonizado depois com o nome de São Wenceslao, este governante se converteu no padroeiro do país. O castelo de Praga era, em sua origem, uma simples estrutura de madeira rodeada por um fosso. Mas, em 1135, o príncipe Sobeslav levou a cabo uma importante reconstrução convertendo-o numa fortaleza românica cujas muralhas e torres de vigilância protegiam a catedral de São Vito, a Basílica, o Convento de São Jorge, a Residência do bispo e o Palácio Real. Em 1157 uma enchente destruiu a ponte de madeira que cruzava o Vltava sendo substituída por uma de pedra, ao que se deu o nome de Judite, em honra à esposa do duque Vladislav, primeiro rei da Bohemia.  Neste tempo o bairro do outro lado do rio, denominado Staré Mestoou cidade Velha, se havia convertido num importante centro comercial internacional que fez de Praga a principal cidade da Bohemia com uma vila muito numerosa com uma destacada comunidade judia que vivia confinada após as muralhas de um gueto, no atual bairro de Josefov.  O conjunto da cidade estava rodeado de fortificações, iniciadas ao redor de 1230, que se estendiam ao longo do que hoje em dia são as ruas de Národní, Na prikov (do Fosso) e Revolucní. Em 1257 nasce um terceiro bairro na cidade baixo as ordenes do rei Ottokar II, a "cidade nova", construída aos pés do Castelo de Praga e que hoje em dia se denomina Malá Stranaou Parte Pequena. Esta parte cresceu ao redor da Malostranské námestí, praça formada sobre as últimas terraplanes do castelo, e nela se instalaram vários mercados, lojas e casas de marinheiros, cervejeiros, advogados, médicos e burgueses ricos. Foi construída também uma prefeitura perto da primeira igreja de São Nicolás (1283), e o mosteiro Agostinho de Santo Tomás, na rua Letenská. No século XIV se levantaram nesta zona o convento e a igreja carmelitas de Santa Maria Madalena, na atual Karmelitská.  A história conhecida de Prazský Hrad, o Castelo de Praga, data do ano 850. Nesta colina às margens do rio Moldava foi construída uma residência e fortificação para abrigar os membros da família Premyslid. De início constituída apenas por uma tosca construção erigida com barro e pedras, foi aos poucos aumentando, assim como o numero de pessoas à sua volta. A história dos Premyslid está intimamente ligada a do castelo. Foi esta família que fundou a dinastia real que durante séculos iria estar à frente dos eventos relacionados à história do castelo e da própria cidade de Praga. Durante os anos 900 uma cidade já havia se formado na base da colina onde estava o castelo de Praga, como já era conhecido, e havia se tornado um centro político. O castelo da influente família Premyslid era o núcleo da região. Como governantes e religiosos andavam sempre juntos, o bispado de Praga também estava localizado junto aos terrenos do castelo, assim como o primeiro convento da Boemia - nome do território onde, à época, estava situada a Republica Tcheca. Um dos nomes mais importantes na história do castelo é o do príncipe Boleslav II. Ao subir ao trono em 932 ele herdou um império poderoso da Europa central, que incluía a Boemia, Moravia, Silésia, Polônia, e Eslováquia. Estes mesmos territórios, logicamente, continuam existindo, mas diversos tiveram seus nomes mudados ao longo dos séculos, devido às inúmeras guerras e tratados políticos. Com o casamento da princesa da Boemia Doubravka Boleslav e o príncipe polaco Mesek I, a dinastia Premyslid ficou ainda mais forte, o que levou seu domínio a ter grande poderio, e transformou Praga numa das cidades mais influentes da Europa. Nesta época, o castelo já cobria uma área de seis hectares, totalmente cercada por muralhas e guarnecida por torres em intervalos regulares. Uma das partes mais importantes do castelo, construída no século 11, foi Basílica de São Vitus, cuja pedra fundamental foi assentada em 1344, pelo rei Carlos IV. O filho de Carlos IV, Wenceslau IV, deu continuidade à obra do pai, e aumentou e fortificou ainda mais o castelo. Nesta época o castelo já podia ser considerado quase como uma cidade dentro de Praga, composta pelos setores dos aposentos reais, áreas religiosas e conjuntos militares. Além disso, dentro de suas muralhas trabalhavam diversos artesãos e comerciantes.  Durante a dinastia dos Jagellons, a partir de 1483, outras obras são feitas, como a construção das famosas Torre de Pólvora, Torre Branca e Torre Daliborka. Mesmo assim, elas não evitam a chegada de anos negros. A segunda metade do século 15 vê a chegada das chamadas Guerras Hussitas, que trazem desgraças e destruição. O castelo sofre diversos danos durante os combates. Como consequência, permanece desocupado durante décadas, e grande parte de suas edificações e muralhas são destruídas. Apenas com o reinado de Vladislav Jagellonský, o castelo de Praga volta a conhecer dias melhores. O soberano promove grandes reformas e acréscimos à construção original. É deste período a construção do famoso Salão Vladislav, aposento medindo 62 x 16 metros, e que passa a ser a peça mais importante do castelo. Também é construída, sob o comando do arquiteto Benedikt Ried, uma magnífica cúpula sob o salão, que viria a ser a primeira do território da Boemia dotada de elementos arquitetônicos renascentistas. No castelo de Praga eram coroados todos os reis do país, sendo que a cerimônia ocorria na catedral de São Vito. De acordo com uma publicação de 1723, para a coroação de Carlos VI foi preparado um banquete com 564 faisões, 708 perdizes, 800 frangos, 560 pombos, 46 carneiros, 40 ovelhas, 50 gansos, 120 perus, 130 patos, 70 galinhas e 108 lebres.

Anos mais tarde, já sob o domínio dos Habsburg da Áustria, o castelo entra em novo período. A imperatriz Maria Theresa contrata o arquiteto Vienense Niccolo Pacassi, para, a partir de 1753, reconstruir tudo. É adotado um estilo renascentista, seguindo a nova moda de Viena. Em compensação, como Praga agora está dominada pelo império austríaco dos Habsburg, o castelo é esvaziado de seus tesouros e obras de arte que são enviados para Viena. Apenas em 1918, com o fim do império dos Habsburg e fundação da nação Tcheco Eslovaca, o castelo de Praga volta a sediar a sede do governo. São reiniciadas as obras de restauração, com especial atenção à Catedral de São Vito, o prédio mais importante de todo o conjunto.

Hoje em dia, a visão do castelo de Praga é um pouco diferente do aspecto que tradicionalmente encontramos em outros castelos. Todo o conjunto é dominado pelas imensas torres da Catedral de São Vito, cujos fundos estão na imagem ao lado. Estas torres elevam-se também sobre todos outros prédios da cidade.

O castelo de Praga, na verdade uma pequena cidade, tem vários pontos abertos à visitação. O núcleo inicial do castelo é uma visita muito interessante, pois na verdade é formado por três castelos independentes, sobrepostos. Cada camada foi construída numa época diferente. Infelizmente não resta muito das camadas mais antigas, mas ainda assim, o que pode ser visto ilustra bem a história e o estilo de sua época.   Clique sobre a foto ao lado para ver um dos salões do castelo. A Catedral de São Vito e Venceslau é o ponto dominante do conjunto, e consiste na própria representação do estado Tcheco. Sua construção levou quase 600 anos. Nela, até 1836, eram coroados os reis do país. Também na catedral, reis, príncipes, imperadores e (futuros) santos eram cremados. Seus restos mortais até hoje estão aqui. Também na catedral estão guardadas as jóias da coroa. Veja também, o impressionante sepulcro que guarda os restos mortais de São Venceslau, padroeiro do país. Visite ainda sua capela, que tem as paredes cobertas por 1300 pedras preciosas. Saindo da catedral e caminhando na direção oposta ao portão de entrada, chega-se a Zlata Ulicka, outro ponto do castelo que merece ser visitado. Nesta rua estavam localizadas as casas dos artesãos e militares que guardavam o castelo. Foi construída no século 16, e até hoje sua aparência é exatamente a mesma daquela época. No conjunto de prédios que formam o castelo está situado também o gabinete do presidente da república Tcheca, em local não aberto à visitação pública. Outros pontos interessantes do castelo são a Basílica de São Jorge, o monastério de São Jorge, Galeria do castelo, Torre Daliborka, Torre de Pólvora, Palácio Lobkovic e os jardins do palácio. A melhor forma de chegar ao castelo é pegando um dos bondes que ligam o centro até os bairros do subúrbio, e passam no sopé da montanha onde está situado o castelo. A partir deste ponto, uma curta e íngreme caminhada leva os turistas até o portão de entrada.

Mais informações no site oficial prazsky_hrad.

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